Um universo de saudades e uma semente para o futuro

Por Sérgio Santa Rosa

O rádio promoveu a inserção da música caipira no meio urbano e confortou os emigrados com saudades de sua terra. Hoje, a internet manda o som da viola para o mundo todo

Oficialmente, a primeira transmissão radiofônica no Brasil aconteceu no dia 07 de setembro de 1922, no Rio de Janeiro, com um discurso do então presidente da República, Epitácio Pessoa, celebrando o centenário da Independência. Em abril de 1923, foi fundada por Edgard Roquette-Pinto, Henrique Morize e outros membros da Academia Brasileira de Ciências, a primeira emissora de rádio do país: a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Pouco tempo depois, em maio de 1929, por iniciativa do irrequieto tieteense Cornélio Pires, a música caipira, resultante da expressão musical das gentes simples do interior do Brasil, gestada desde os tempos remotos nos braços das rústicas violas, chegou ao disco.

No cruzar dos caminhos dessa música de origem rural, até então gravada, com o universo do rádio, que cada vez mais se fazia presente nos lares brasileiros, se inicia uma longa e rica história, capaz de revelar muito sobre vários aspectos da vida brasileira, a começar por um cotidiano mais simples e popular no seio de uma sociedade que se urbanizava rapidamente.

 “O que havia até então em termos de radiodifusão era uma música muito canônica, vinda do Rio de Janeiro, tendo o samba como base”, explica o músico e pesquisador Ivan Vilela.

“No momento em que as músicas caipiras são gravadas e vão para o rádio, elas começam a registrar, pela primeira vez na história do Brasil, o cotidiano de gente humilde. O camponês conta sua história, e ela passa a ser conhecida por todo mundo”.

A radiodifusão de um cancioneiro com temática rural vai permitir que o brasileiro das cidades conheça melhor a vida do homem do campo, que então chegava para ser seu vizinho na área urbana. A música caipira, portanto, vai se inserindo na indústria cultural e passa a ser conhecida, identificada e eventualmente apreciada por gente com raízes mais distantes da vida rural.

 “Gosto de dizer que a ideia que temos de música é meio parecida com nossa ideia de horta”, compara Ivan Vilela. “Você sabe o nome das plantas que você conhece. E tudo o que você não conhece é mato. Mesmo que ali esteja uma erva com propriedades importantes. E a música caipira era um pouco mato para essas pessoas que não conheciam”.

Quer saber mais sobre a importância do rádio para a difusão da música caipira? Acompanhe a nossa série sobre o Rádio em nosso site e redes sociais!

Não perca também em nossa Programação, o Café com Viola Especial, que será transmitido no dia 11/10, no canal do YouTube e terá o rádio como tema central da prosa!

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