Viola caipira, um instrumento que atravessa gerações…

Um instrumento que embalou as alegrias e tristezas, as dores e os sonhos do homem do campo; um instrumento que fez parte da cultura brasileira e que resiste até os dias de hoje; essa é a viola caipira que todos amamos e temos como missão preservar. Mas, e você, conhece a sua história? A viola chegou ao Brasil pelas mãos dos jesuítas, que utilizavam o instrumento para se aproximar dos povos nativos; reza a lenda que José de Anchieta era um grande tocador desse instrumento, que, posteriormente, faria parte da vida do brasileiro. Passados quase 500 anos, a viola resistiu e teve seus primeiros registros gravados na década de 1930, por Cornélio Pires, retratando as belezas da vida no campo.

Muito versátil, estima-se que a viola possua mais de 50 tipos de afinações diferentes, além de inúmeros ritmos, como a moda de viola, o cururu, o cateretê e o pagode de viola, talvez o mais famoso, que foi criado por Tião Carreiro no ano de 1959. Produzida por luthiers, a viola caipira é, comumente, feita de madeira, podendo, também, em suas versões mais modernas, ser feita de acrílico, fibra de carbono e outros materiais. Mas, o que poucos sabem, é que a viola caipira também pode ser feita de bambu; o pioneiro dessa história é o seu Cabral, mineiro de Bom Despacho, que fabrica violas há mais de 20 anos. Aqui, cabe um parêntese, luthier é uma palavra de origem francesa, lutheria, que diz respeito à arte da construção e concerto de instrumentos musicais.

Voltando ao Seu Cabral, em entrevista ao Globo Rural, o simpático luthier afirmou que o processo não é o mesmo das violas feitas com as madeiras maciças. “Exige muito conhecimento para escolher o bambu e prepará-lo, tem uma época certa para cortar o bambu. O corte tem que ser feito na lua minguante, mas não pode ser no início e nem no fim do mês. Tem que ser num dia intermediário. E ainda, o mês do corte em lua minguante não pode ter a letra R.”

Em parceria com a Casa dos Caipiras, o também luthier, Edilson Santos, produziu uma viola feita 96% de bambu, uma viola profissional de sonorização única, mais leve e com um custo de produção mais baixo que as violas tradicionais. A viola é um sucesso e foi aprovada por artistas de renome e professores como Karoline Violeira, Joaozinho Regional, Maestro Mario Campanha (As Galvao), Mastro Rui Tornese, Mariano da viola, Osni Ribeiro, , Valdir Verona, Professsor Zeca Collares, dentre outros.

Agora que você já sabe um pouco da história e da versatilidade desse instrumento, que tal aprender a construí-lo? O Centro Max Feffer, em parceria com a Casa dos Caipiras e o Luthier Edilson dos Santos, está oferecendo um curso gratuito de lutheria, onde você irá aprender a verdadeira arte por trás desse instrumento que atravessa gerações e toca o íntimo das pessoas. Entre em contato para maiores informações.

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